Passadas as eleições, candidatos eleitos, nossa vida continua… Só não sei se pra melhor ou pior, mas enfim.

Nas últimas semanas, durante a campanha das eleições municipais de SP, muito se falou sobre algo que está fora do debate entre os que querem saber qual o projeto de cidade que os dois candidatos restantes tinham para a maior metrópole do país. O tema era um polêmico kit educacional contra a homofobia que foi motivo de debates acalorados entre José Serra e Fernando Haddad. Em um primeiro momento, para um deles foi como ataque e para o outro foi como esquecimento. No final o feitiço virou contra o feiticeiro. O kit em questão foi batizado pelo governo como “Kit gay”.

Mas vocês já pararam pra pensar e entender o que é esse kit? Qual seu propósito? E o porquê de tanta polêmica envolvida nesse nome, principalmente no cenário político e religioso? Então vamos entender mais um pouco sobre isso tudo.

 


O kit contém material educativo composto de vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais que seria distribuído para seis mil escolas da rede pública, para alunos de 7 a 10 anos, em todo o país no programa Mais Educação.

 

ENTENDENDO A HISTÓRIA:

O projeto conta com três vídeos educativos, onde cada um relata uma história diferente relacionada à homofobia. Em um deles, intitulado “Encontrando Bianca”, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como um exemplo de um travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida, e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada. O jovem travesti do filme aponta um dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino e simula flerte com um colega do sexo masculino ao dizer que superou o bullying causado pelo comportamento homofóbico na escola. Na versão feminina (“Torpedo”) da peça audiovisual, o material educativo anti-homofobia mostra duas meninas namorando.

O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme.

“Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário.

 

Leia também:  Luv MTV lésbico, por Angélica Martins.

 

VEJA OS FILMES PRODUZIDOS PELO MEC:

“Probabilidade“:

http://www.youtube.com/watch?v=2vfxsoFFXGc

“Torpedo”:

http://www.youtube.com/watch?v=WNSEIdqtLPE&feature=channel&list=UL

“Encontrando Bianca”:

http://www.youtube.com/watch?v=YING-24fUtw&feature=channel&list=UL

 

OBJETIVO DA CRIAÇÃO DO KIT:

O kit é destinado a combater a homofobia nas escolas públicas e é resultado de um convênio firmado entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos). O MEC decidiu por criar e distribuir o kit após um estudo realizado em escolas de 11 capitais, que mostrou um quadro de tristeza, depressão, baixo rendimento escolar, evasão e suicídio entre os alunos gays, da 6ª à 9ª séries, vítimas de preconceito.

“A pesquisa indica que, em diferentes níveis, a homofobia é uma realidade entendida como normal. A menina negra é apontada como a representação mais vulnerável, mas nenhuma menina negra apanha do pai porque é pobre e negra, por exemplo.”

A distribuição do kit gay (projeto sob comando do até então ministro Fernando Haddad) foi vetada pela presidente Dilma. Ela “não gostou” dos vídeos produzidos e entendeu que o material é inadequado, após o mesmo já ter sido produzido. Porém, nos bastidores, o que se fala é que a presidente resolveu evitar a polêmica e o atrito com a bancada religiosa que vinha pressionando o governo contra a distribuição do kit. Por esta razão, o material nunca chegou a ser distribuído nas escolas, mas deixou suas marcas. Onde muitos alegaram que o kit estimularia a homossexualidade entre crianças e adolescentes e Haddad foi acusado, inclusive, de desperdício de dinheiro e material público para a produção dos kits.

José Serra também lançou em 2009, uma cartilha chamada “Preconceito e Prevenção no Contexto Escolar” onde diz usar “mesma idéia” que norteou o projeto do MEC. Teria Serra se enforcado com a própria corda esticada para Haddad? O resultado nas eleições diz tudo, e o próprio após as eleições assume o “erro do kit gay”.

Nenhum dos dois projetos foi adiante com a sua proposta inicial (mostrar aos jovens brasileiros que a homossexualidade é assunto que deve ser tratado e inserido de forma natural na sociedade), e então eu pergunto: Com as negações de todos eles em relação a um projeto pela diversidade e tolerância e seu uso político de forma desleal e contraditória, podemos concluir que os homossexuais são hoje o bode expiatório? De um esquema de politicagem barata que pelo histórico mostra que isso nem sempre acaba bem… só que para os gays.

 

Qual a sua opinião sobre o  kit gay? A proposta é válida? Independente de política e religião?

 

 

Written by Adriana Melo
Dri, Adri ou Adrisuzi – como preferir. Tem 27 anos, é carioca da gema, criada no subúrbio. Adora baladas e um bom papo com amigos. Nerd convicta, viciada em video game, gadgets e internet.