“Acho que você quer um drink, né? Eu quero. Vamo.”

E foi assim que acabou o episódio mais recente da RED, uma websérie nacional incríveeeel que conta a história de duas atrizes: Mel (Luciana Bollina) e Liz (Ana Paula Lima). Elas estão trabalhando juntas, gravando a história de duas mulheres que se conhecem porque uma é a prostituta e a outra é a esposa do cara, que a contratou pra contar tudo que eles fazem juntos e pegar ele no pulo da traição. E no roteiro que as duas estão trabalhando juntas, uma delas é apaixonada pela outra.

Acontece que na vida real a história é bem parecida. Uma delas está se envolvendo emocionalmente com a outra, mas ainda não contou, nem admitiu pra ninguém.

No desenrolar dos 5 episódios disponíveis, é possível perceber a mega tensão sexual entre as duas. O tempo inteiro estão interessadas uma na outra e querendo se beijar, mas a lésbica assumida sabe que a outra é casada com um cara, portanto, não tenta nada mais direto (e essa história a gente conhece bem haha).

Com um estética incrível, uma fotografia bem warm, de causar inveja em muitas outras webséries por aí, a primeira temporada ainda está em produção e pode ser assistida completa e gratuitamente pelo canal RED no Vimeo. Criada por Viv Schiller and Germana Belo, cada episódio tem uns 8 minutos, então é bem rapidinho e uma delícia de assistir.

E equipe da RED entrou em contato com a gente pelo Twitter divulgando e, confesso, logo de início não imaginei que me surpreenderia tanto com a websérie, mas ela realmente me impressionou muito e agora fico ansiosíssima pra cada episódio ser lançado. Toda vez que sai um teaser, fico roendo as unhas pensando “ai caramba e agora?” O mais legal é que esse é um projeto inédito no Brasil. Já assisti muitos curtas e até projetos de webséries parecidas, mas nunca uma que realmente fosse colocada em prática e, poxa, tão bem assim! Vai que vai, Brasil!

Eu já fiquei apaixonadíssima pela história e, principalmente, pelos diálogos que são incríveis! Cheios de linhas de efeito. Mas acho que fiquei mais apaixonada ainda pela atriz Ana Paula Lima, que faz a lésbica assumida. Gente, que mulher é aquela? Socorro hahahaha! Mas além de lindíssimas, ambas são muito talentosas. A gente percebe porque nos diálogos a conversa é uma, mas entre olhares e linguagem corporal, a conversa é outra. E é isso que deixa RED mais interessante.

E você também pode ajudar o projeto a continuar sendo produzido doando dilmas pelo Kickante.

Se tem algo que eu indico nesse momento pra todas as leitoras que são viciadas em filmes e séries, com certeza é: assistam!

RED – Teaser EP 1 from RED Webseries – Brasil on Vimeo.

 

A sexualidade ainda é vista como tabu na sociedade contemporânea. É incrível que em pleno século 21 a forma como este assunto é abordado só regrediu.

Primeiramente, vamos esclarecer alguns pontos: na visão da psicologia – nós, psicólogos – devemos promover o respeito, proteção e expansão dos diretos de todos os cidadãos, independente de sua identificação étnico-racial, de gênero ou de orientação sexual (CRP).

A Resolução CFP 001/99 orienta profissionais da área a não usarem a mídia para reforçar preconceitos contra os homossexuais nem propor tratamento para curá-los. A homossexualidade deixou de constar no rol de doenças mentais classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há mais de 20 anos, no entanto, ainda há pessoas que insistem em tratá-la como patologia e propõe formas de cura, o que é errado e pode ocasionar na cassação do registro pelo conselho, perdendo o direito de atuação como psicólogo (Código de Ética Profissional do Psicólogo).

Ao definirmos a sexualidade humana, podemos dividi-la em três termos, a saber: sexo, orientação sexual e gênero.

O sexo é o aspecto biológico, são as características que diferenciam homens e mulheres, desde os órgãos do sistema reprodutor, a características secundárias, como seios e barba.

A orientação sexual – e não opção – é o aspecto psicológico e diz respeito à atração sexual e afetiva. Ou seja, se define tendo como base o sexo pelo qual o indivíduo sente desejo. Não se pode escolher por quem sente atração.

O gênero corresponde a papéis e condutas sociais que são comumente associadas ao masculino e ao feminino; a sensação de pertencimento a um desses dois gêneros é chamado de identidade de gênero.

Com base nisso tudo, qual o papel da psicoterapia ou do terapeuta? Simples, é basear-se nos princípios fundamentais do código de ética para sua atuação, no respeito à dignidade e a integridade do ser humano e, como já citei acima, deverá promover o respeito, proteção e expansão dos diretos de todos os cidadãos, independente de sua identificação étnico-racial, de gênero ou de orientação sexual. No caso de um pai, uma mãe ou um responsável solicitar atendimento para o filho por conta da orientação – para “mudá-la”, fica vedado ao psicólogo o atendimento. Ou seja, ele NÃO pode fazer isso!  Pois vai contra o código de ética.

A psicoterapia proporciona ao indivíduo um amadurecimento e crescimento psicológico. Por meio dela, ele poderá aprender a lidar com diversas situações do dia-a-dia nas quais encontra dificuldades. Ou seja, aprenderá a enfrentar as dificuldades emocionais, comportamentais e cognitivas. O papel da psicoterapia é restaurar e promover o bem estar e a saúde mental do indivíduo. Entendam, a psicoterapia não tem o papel de mudar a identidade sexual de ninguém. Ela tem uma função facilitadora, auxiliando o indivíduo a vivenciar de forma correta e mais saudável as situações que lhe causam sofrimento psíquico. Por isso, é essencial quebrar certos tabus em relação à psicoterapia.

Não estou afirmando que não encontraremos psicólogos utilizando de forma errônea a psicologia e propagando o preconceito, claro que encontraremos! Porém, a estão utilizando de forma errada, nota-se que são pessoas que não entendem a essência da psicologia e nem deveriam estar atuando.

O papel do psicólogo não é mudar ou incentivar a mudança da identidade, orientação sexual ou gênero de nenhum indivíduo! Muito pelo contrário, é auxiliar no enfrentamento de situações angustiantes, de modo que o indivíduo aprenda a lidar com essas vivências.

Podemos ter uma clara visão de que “as supostas minorias” que enfrentam todos os tipos de preconceitos são devido à orientação sexual que na maioria das vezes, são incentivadas por indivíduos que sequer compreendem. É natural do ser humano atacar o objeto que lhe causa medo, é uma defesa natural, seja por evocar desejo, curiosidade ou o que for.

Portanto, ao estar em uma situação difícil, não hesite. Peça ajuda profissional, busque apoio.

 

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Luciana Máximo – Marília (SP)
Psicóloga
lucianaaah@hotmail.com
facebook.com/umespacopsicologico