Câncer de Mama: prevenção, tratamento e transgêneros.

O mês de Outubro traz um movimento importantíssimo, o ‘Outubro Rosa’, que tem o objetivo de alertar sobre a importância da prevenção e tratamento do câncer de mama.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. Só nesse ano de 2015, mais de 57 mil mulheres foram diagnosticadas com a doença e iniciaram o tratamento, um número assustadoramente alto. A cada quatro novos casos de câncer, um é de mama.

Casos da doença em mulheres abaixo dos 35 anos são mais incomuns, mas não impossíveis. Acima dessa idade, a incidência cresce, especialmente depois dos 50 anos. Infelizmente, a prevenção do câncer de mama não é totalmente possível, mas quanto mais cedo for feito diagnóstico, maiores as chances de sobreviver com o tratamento, por isso é tão importante fazer exames – em casa e com médico especializado – para garantir que qualquer mínima mudança será notada.

Alimentação, controle de peso e atividade física podem reduzir em até 28% o risco do desenvolvimento de câncer de mama.

Diagnóstico e Autoexame

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Como já disse anteriormente, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor, por isso tamanha a importância de fazermos exames regularmente, até mesmo em casa. Isso porque o câncer de mama metastático (estágio avançado / IV) pode ocorrer da evolução de um câncer de mama detectado e tratado em estágio anterior ou por diagnóstico tardio. Na etapa inicial da doença, a probabilidade de cura é de 95%.

O autoexame é super importante pra que você conheça bem seu corpo e perceba qualquer alteração nas mamas, devendo procurar um médico rapidamente. Mas é importante lembrar que o autoexame não substitui exames como mamografia, ultrassom, ressonância magnética e biopsia, pois são apenas esses que podem definir o tipo de câncer, a localização dele e o estágio da doença.

Para fazer o autoexame é bem simples e rápido. Você pode escolher um dia e horário fixos e fazer toda semana.

Tratamento

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O câncer de mama tem quatro tipos mais comuns e outros mais raros, por isso o tratamento não deve ser padrão. Cada tipo de tumor tem um tratamento específico, que deve ser decidido pelo médico oncologista responsável.

Entre os tratamentos estão:

a. Quimioterapia: um tipo de tratamento que introduz na circulação sanguínea compostos químicos, chamados quimioterápicos. Eles se misturam com o sangue, destruindo as células doentes que estão formando o tumor.

b. Radioterapia: um método capaz de destruir células tumorais empregando feixe de radiações ionizantes, que são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia.

c. Terapia-Alvo: um novo tipo de tratamento contra o câncer que usa drogas e outras substâncias para identificar especificamente às células cancerígenas e provocar pouco dano às células normais.

d. Imunoterapia: um tratamento que promove a estimulação do sistema imunológico por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica.

Mulheres e Homens Transgênero

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A Avon lançou sua nova campanha do Outubro Rosa e escolheu a cantora Candy Mel (Banda Uó), mulher trans, para estrelar. Muitas pessoas reclamaram dizendo que não consideram justo, pois “ela não faz parte do grupo de risco, portanto, não pode representá-lo”. Fiquei interessada pelo assunto e pesquisei em sites de medicina gringos (referências no fim do post). Algumas das conclusões que tive são:

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A. Não existe ainda nenhum estudo aprofundado que afirme que mulheres transsexuais tem maior risco de desenvolver câncer de mama. O que não pode ser levado a ferro, afinal, transgênero ainda é um grupo que sofre enormemente de invisibilidade na sociedade, ou seja, é um grupo que não costuma receber atenção e ser estudado por grandes associações para ter suas necessidades definidas.

B. Apesar disso, o risco de câncer de mama está ligado com exposição a hormônios. Isso significa que é possível assumir que o uso de hormônios durante o tratamento de adequação (estrogênio e/ou progesterona) por cinco anos ou mais podem aumentar os riscos da doença.

C. Não existem evidências de que transplantes de mama (silicone etc) aumentam risco de câncer de mama, porém com certeza prejudicam muito na prevenção, já que dificultam perceber sinais do câncer como nódulos.

D. No caso de homens trans, o risco de desenvolver câncer de mama é bem mais alto do que em homens cis, por conta do resíduo de tecido mamário na região, mesmo após a mastectomia (cirurgia para retirada da mama). Mesmo motivo pelo qual mulheres cis que já fizeram mastectomia continuam correndo risco de câncer.

Com esses estudos podemos concluir que a Candy Mel (e todas as mulheres trans) fazem sim parte do grupo de risco e é importantíssimo que sejam incluídas nas campanhas de prevenção.

Cuidados essenciais:

– MFT (male to female)
devem fazer exames anualmente e mamografia a partir dos 40.

– FTM (female to male)
que ainda não fizeram mastectomia devem começar a fazer mamografia a partir dos 40.

Banco de Lenços Flávia Flores

bancodelencos

O efeito colateral mais comum no tratamento contra o câncer é a queda de cabelo, que causa bastante transtorno para muitas pacientes. Pensando nisso, foi criado o Banco de Lenços.

O Banco de Lenços nasceu da vontade de um grupo de pessoas em poder fazer um pouco mais por quem precisa de carinho. O lenço é um símbolo que carrega consigo doses exageradas de carinho, amor e solidariedade a todas as pessoas que desejarem.

Receber e doar lenços para quem estiver em tratamento vai além de presentear e enfeitar; a ideia é sempre lembrar a essas pessoas que não estão sozinhas.

Hoje, a proprietária da marca, Flávia Flores, conta com o apoio do Instituto de Oncologia Santa Paula e da Rede Conecte.

Para saber como PEDIR O SEU LENÇO ou DOAR UM LENÇO, entre AQUI <3


Referências e fontes:

Instituto de Oncologia Santa Paula
Site Dr. Drauzio Varella
Site Institucional Pfizer
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva
Trans People and Cancer, BC Vancouver, Canada Transgender Health Program

Transgendered and Transsexual Individuals – American Cancer Society
Cancer Risks in the Trans Community – Justin Cascio, TransHealth.com
The National LGBT Cancer Network

Written by Bianka Carbonieri
Insta: @bsapatomica | 26 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante e Psicologia, é viciada em café e lasagna.