Imagine um típico cliente de escort e automaticamente vem a imagem de um homem mais velho, um tipão igual Silvio Berlusconi talvez, ou um Baron John Sewel. Mas nem todos os clientes se encaixam no perfil de um político dubiamente moralista, e homens não são os únicos dispostos a pagarem por escorts.

Uma pesquisa britânica recente apontou que cada vez mais mulheres estão pagando por experiências sexuais, com o número de escorts masculinos disponíveis na Inglaterra aumentando para 15 mil nos últimos cinco anos. O estudo também apontou que muitas mulheres não querem ou não tem tempo para um relacionamento, enquanto outras contratam escorts para menages. Essas motivações são familiares em uma agência de escorts de Londres. Mas com a homossexualidade sendo cada dia mais discutida e muitas pessoas perdendo o medo da experiência, outra motivação surgiu.

O valor médio alto (250 euros por hora) atrai mulheres com poder aquisitivo, muitas delas turistas que estão passando pela cidade a trabalho ou passeio. Profissionais bem sucedidas dos Estados Unidos ou Dubai que contratam uma escort como companhia à tarde e, se gostarem, as levam para viagens em locais exóticos ao redor do mundo.

A fundadora da agência, Felicity, diz que constantemente recebe ligações de mulheres por volta dos 40-50 anos que estão em dúvida ou curiosas em relação a sua sexualidade e querem contratar uma escort para experimentar. Contratar uma escort oferece privacidade e a chance de um experiência sexual secreta, duas coisas que são difíceis num encontro romântico comum. E para mulheres que estão há décadas no armário, muitas se sentem mais seguras com escorts para um primeiro encontro.

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Azul é a Cor Mais Quente, filme que mexeu com o imaginário das curiosas.

“Elas não tem certeza se são lésbicas ou bi e querem descobrir se gostam, sem ter que ficar flertando e conseguir um encontro. Existe muita privacidade com a gente, ninguém vai ficar sabendo e nós vamos logo ao ponto,” disse Felicity. “Se você for num encontro às cegas, outras pessoas podem te ver por lá, na cena do encontro. Com escort, é entre quatro paredes, bem discreto e muito profissional.”

Vale ressaltar que, na Inglaterra, escorts oferecem companhia em troca de dinheiro e, apesar de o sexo não ser garantido, ele acontecerá se as duas partes ficarem interessadas – tipo um Tinder.

“Atendi uma mulher de uns 50 anos que ligou outro dia. Ela soava imaculada e extremamente educada, mas fez um monte de perguntas e continuou ligando de volta por algum tempo,” diz Felicity. “Ela queria uma mulher que fosse de determinada altura, cor de cabelo específica, lésbica de verdade – que realmente gostasse de mulheres, e fosse fazê-la se sentir confortável. Ela disse: ‘Por favor, explique que eu sou nova nisso, é minha primeira experiência. Ela me ajudaria?’”

O encontro acabou indo super bem, a mulher ligou novamente para agradecer e prometeu contratar o serviço novamente. Felicity diz que muitas mulheres costumam agradecer as escorts por ajudá-las a se descobrirem e se libertarem sexualmente. “Me deixa muito contente fazê-las felizes e ajudá-las a experimentar algo de maneira discreta”, disse.

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A agência em questão atende tanto homens quanto mulheres, mas afirma que metade dos clientes da agência são mulheres procurando escorts mulheres. Felicity garante que a noção de que homens são mais sexuais que mulheres é nada mais que um estereótipo falso.

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Filmes e livros que abordam o BDSM também provocaram o aumento de clientes mulheres.

“Mulheres são tão taradas quanto homens!” “Acontecem muitas coisas maravilhosas por trás das portas”, ela comenta. Uma das escorts da agência tem seu próprio calabouço, com brinquedos sexuais. “Sexo não é mais apenas sexo – você tem todos os acessórios para explorar. Quem conseguiria viver sem role-play? É incrível!”

A companhia emprega por volta de 20 escorts e, apesar de o negócio parecer imprevisível, a companhia marca por volta de cem encontros por semana. Felicity afirma que aquelas que atendem mulheres são todas lésbicas ou bissexuais. “Daria pra perceber se elas não estivessem curtindo a situação, então sempre enviamos mulheres que se sentem atraídas por mulheres”, disse. “Tem que ser lésbicas de verdade, não podem fingir.”

As escorts costumam atender nos melhores hotéis de Londres, como W Hotel, Claridge’s e o Hilton na Park Lane, e elas se preparam pedindo um drink no bar do hotel e anotando as preferências da cliente – “lingerie preta ou branca, com salto ou sem salto, cabelo preso ou solto, maquiada ou mais natural etc”. Mulheres costumam ser muito mais exigentes na hora de escolher a escort do que homens. Para mulheres que demoraram décadas para se descobrirem atraídas por mulheres, elas são bem particulares em relação ao que querem. Depois de anos esperando, querem a melhor experiência possível.

Fonte: Telegraph UK

Written by Bianka Carbonieri
Autora do Sapatômica - 25 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante e Psicologia. Ítalo-brasileira, é viciada em café e lasagna.