#ComoMeDescobri é uma tag do blog com a ideia de publicar as histórias de como nossas leitoras se descobriram lésbicas/bissexuais. Muitas poderão se identificar, relacionar experiências e, quem sabe, se descobrir também.

Qualquer leitora pode participar, é só enviar sua história para o e-mail leitora@sapatomica.com e aguardar ser publicado. 😉

 

#COMOMEDESCOBRI – BRUNA MAGALHÃES

Não sei quem me descobriu primeiro; se foi eu mesma ou se foram as pessoas que viviam ao meu redor.

Sempre fui muito feminina, não levantava grandes suspeitas. Até uma fase da vida segui o ”cronograma” de qualquer garota hétero. Meu grupo de amizade em sua maioria eram meninas. Nunca andei só com os meninos (embora me identificasse com eles em muitas coisas). Dei meu primeiro beijo, fiquei com alguns garotos e até rolou sentimento. Nunca me imaginei namorando alguém do mesmo sexo, até algo acontecer na escola.

Duas garotas foram ao banheiro se beijar.

Minhas amigas perceberam que algo estava acontecendo e fomos até lá. De fato, elas estavam se beijando. Ficamos chocadas e depois da cena fiquei paralisada; e mal. Não queria julgá-las e não queria que as pessoas achassem que eu apoiava aquele relacionamento (que era assunto na escola). Fiquei dias observando-as, dias pensando em como seria namorar uma mulher e instigada porque elas pareciam felizes. Um ou dois anos depois a coisa ficou mais intensa. Na mesma época comecei a ouvir Cássia Eller. Ninguém me indicou, eu apenas me identifiquei de algum modo. E, claro, senti uma atração imediata.

Mudei para um colégio onde havia muitas lésbicas assumidas. Nessa escola fiz novos amigos, entre eles meninas muito certas de sua sexualidade. Pra mim era novidade, e que novidade! Quando não era Cássia que bagunçava minha cabeça com toda aquela liberdade sexual e com todo aquele amor pra dar, eram as meninas que estudavam comigo. Elas me olhavam com um olhar diferente, como se entendessem toda minha incerteza. Como se soubessem que eu visitava o orkut de todas, e como se tivessem sacado a minha atração pelas ”butches”. Minhas amigas heterossexuais me colocavam na parede, perguntavam se eu tinha atração por mulheres, o menino que eu ficava perguntava o porque eu andava estranha e nada parecia estar no lugar. Eu fugia e todo mundo corria atrás de mim como se quisessem me mostrar o que no fundo eu já sabia. Meu coração queria saltar pela boca quando alguém me dizia que tinha beijado uma menina e eu pensava “Por que não tenho essa coragem?”

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No ano seguinte eu tive! E resolvi me abrir.

Mandei uma carta para os meus melhores amigos falando que precisava saber se gostava mesmo de meninas. No mesmo dia fiquei com a amiga de uma amiga. Todo mundo se espantou com a rapidez em que tudo aconteceu, menos eu. Aquilo estava há tempos guardado dentro de mim. Quando enfim nos beijamos eu tive a certeza que era um caminho sem volta. A cada dia ficava mais difícil esconder minha atração pelas mulheres.

Na mesma época fui na parada gay pela primeira vez e lá entendi que aquele era o meu mundo. Logo depois conheci baladas gays e nunca fui tão feliz! Alí minha vida fez mais sentido. Entendi o porque não conseguia me entregar de todo coração para os meninos. Entendi porque eu me sentia um peixe fora d’água. Ninguém me explicou nada. A gente simplesmente sabe na hora certa, no lugar certo.

Foi um longo caminho, muitos amores platônicos, muitas noites em claro e muitos goles de vodka para me ”libertar”. Quando resolvi contar para o meu pai, ele disse que já sabia – como a maioria das pessoas.

Não sei como me descobri lésbica, só sei que é um sentimento que aflora! Quando você se dá conta, já está apaixonada e nem quer saber se é certo. Você só quer viver, apreciar cada curva dela… E o que pra todo mundo é um defeito, uma abominação, pra gente é natural.

Written by Bianka Carbonieri
Autora do Sapatômica - 25 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante e Psicologia. Ítalo-brasileira, é viciada em café e lasagna.