O tempo passa e o deputado Jair Bolsonaro mantém a fama de critico e de causador de polemicas. No último dia 28 o deputado voltou a cena no programa CQC em um quadro onde respondia perguntas feitas por anônimos e famosos.

Ao ser questionado sobre o que faria se tivesse um filho homossexual ele respondeu:

-Eu não corro esse risco, eduquei bem meus filhos.

Como se já não bastasse, o parlamentar respondeu também de forma ofensiva a cantora Preta Gil que perguntou qual seria a postura dele se o filho namorasse uma negra afirmando que ele não corria esse risco, já que seus filhos não foram criados num ambiente de promiscuidade como ela.

http://www.youtube.com/watch?v=UrLpLXe-q08

É claro que no próprio dia choveram os comentários pela internet, a hashtag #ForaBolsonaro foi parar nos trending topics do Twitter e processos foram abertos contra o deputado: O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, pediu a abertura de processo de afirmando que Bolsonaro teve conduta homofóbica, deputados protocolaram uma representação para que o deputado seja investigado pela Corregedoria da Câmara por quebra de decoro parlamentar, por causa dos comentários e a própria Preta Gil abriu uma ação contra Bolsonaro.

O deputado participou de uma conversa com jornalistas no Congresso Nacional no dia 29 e alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim”.

No fim da semana, como se já não bastassem as ofensas, ele voltou a fazer ataques a homossexuais até mesmo no velório do ex-vice-presidente José Alencar:

“Eu estou me lixando para esse pessoal aí”, referindo-se a quem o chama de homofóbico. “Agora criaram a Frente Gay. O que esse pessoal tem para oferecer? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer pra vocês, que são jovens, que se tiverem um filho gay é legal, vai ser o orgulho da família? Esse pessoal não tem nada para oferecer”.

Mas o deputado ainda conseguiu ir mais longe. Em uma entrevista à rádio Eldorado-ESPN de São Paulo, ele voltou a cuspiu comentários preconceituoso quando questionado sobre o porquê de tratar a homossexualidade como doença “Isso para mim é grave. Eu não admito fazer apologia ao homossexualismo, idolatrar o homossexual, deixar que o homossexual entre na escola”.

Na mesma entrevista ele comentou sobre o kit contra homofobia criado pelo Ministério da Educação (MEC):

“Atenção, pais: os seus filhos vão receber um kit que diz que é pra combater a homofobia, mas na verdade estimula o homossexualismo”, disse. “Com a mentira de combater a homofobia, eles [o MEC] estão estimulando o homossexualismo e abrindo as portas para a pedofilia”.

(lembrando que o mesmo que sugeriu “couro” para corrigir filho “meio gayzinho”)

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A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Clara Goldman, que já teve acesso ao material, desconstrói a alegação de que o kit exerceria influência na orientação sexual dos adolescentes.

“Essa é a base do pensamento homofóbico. O kit não orienta, não estimula, mas problematiza. Coloca no seu devido lugar a discussão que deve ser feita. O objetivo é que as pessoas LGBT possam ser respeitadas e que caibam na nossa sociedade, nos nossos espaços coletivos, o respeito a essa diversidade. ”

Para fechar a entrevista ele suscitou os comentários sobre sua postura racista mas reafirmou a postura contra os homossexuais:

Então o problema do senhor é com a homossexualidade, não com os negros?

Não tenho nada a ver com racista. Tem um montão de afro-descendente trabalhando comigo no Rio de Janeiro. Eu não quero é que os boiolas coloquem no currículo escolar a disciplina de combate à homofobia que, na verdade, estimula o homossexualismo.

O senhor teme ser punido?

Eu estou entrando agora com uma representação no Conselho de Ética, para que eu possa ser ouvido lá e acabe com essa polêmica. Ou eu vou deixar que um deputado homossexual, não sei se é ativo ou passivo, queira crescer em cima de mim?

O senhor se refere a Jean Wyllys?

Não sei. Eu falei um deputado homossexual. Não sei se é ativo, passivo ou joga nas duas.

Ele é o único homossexual assumido no congresso.

Ele é seu amigo?

Não. O senhor já escapou de várias punições por declarações semelhantes.

Mais de 20 vezes.

Acha que agora será igual?

Meu anjo da guarda é forte, porque eu estou sempre do lado da verdade.

Depois dessa semana tumultuada com tantos insultos, o presidente da OAB-RJ se pronunciou dizendo:

“As declarações do deputado Jair Bolsonaro são inaceitavelmente ofensivas pois têm um cunho racista e homofóbico, incompatível com as melhores tradições parlamentares brasileiras. Por isso, vou oficiar o corregedor da Câmara dos Deputados para abertura imediata de processo por quebra de decoro parlamentar contra o referido deputado. O Congresso não merece ter em suas fileiras parlamentares que manifestam ódio a negros e gays”.

Na semana seguinte foi a vez da resposta do programa CQC. O apresentador Marcelo Tas fez uma afronta a postura do deputado mostrando o orgulho que tem por ter uma filha homossexual.

http://www.youtube.com/watch?v=GAW87LnG0w8

Eu espero de coração que a corregedoria, o congresso, o conselho de ética do senado, os militares, os meios de comunicação digital e analógica, a comunidade LGBT, a frente parlamentar LGBT, os canais gays ou não de comunicação, você leitora e nós do Sapatômica consigamos, cada um com as suas armas, reverter esse caos causado por um representante brasileiro que só soube envergonhar a nação.

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Written by Feh!
Designer, 21 anos – teimosa, viciada em violão, adora falar sobre tecnologia e fazer amigos nas horas vagas.