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Às vezes eu acho que tenho um gene masoquista. Ou recebi um implante de um chip alienígena programado para me interessar por tudo que é difícil, quase impossível. Ou então, pensando de forma mais espiritualizada #not, pode ser algum tipo de trabalho que fizeram pra mim… E esse gene/chip/espíritoobsessor parece especialmente ativado quando o assunto é relacionamento.

Não basta gostar de uma menina linda e inteligente. Ela tem que ser linda, inteligente e morar longe. Beeem longe. Tipo a uns 500 quilômetros de distância ou mais. Aí fico pensando sobre… Hoje temos aviões que facilitam um pouco as coisas… Mas na época da minha avó, como um encontro seria possível? À cavalo, demorando mil anos? E nossa comunicação? Trocaríamos infindáveis cartas apaixonadas que depois seriam descobertas pela família que nos obrigaria a casar contra a nossa vontade com um matuto qualquer ou nos enclausuraria num convento na Europa? (Tá, o convento na Europa, bem como o casamento forçado foram exageros imaginativos, desculpe, acho que tenho visto filmes de época demais. Mas continuando…)

Hoje temos aviões, ônibus, carros e motos que agilizam o transporte; internet e celulares que proporcionam ligações e mensagens de texto ilimitadas por precinhos irrisórios, o que nos mantém conectadas o tempo todo. Falando em conexão e comunicação, quem mantém um relacionamento à distância sabe como são frequentes essas mensagens e ligações. “Bom dia, meu amor!”, “Bom trabalho, meu amor!”, “Bom almoço, meu amor!”, “Tô com saudade, meu amor!”, “Bom banho, meu amor!”, “Vai sair hoje, meu amor?”, “Ah, vai pra balada?”, “Ok, minha ex me ligou chamando pra sair e agora acho que vou…” ;P

Quem se apaixona e está distante tenta suprir o buraco da ausência com um excesso de atenção e zêlo; e, convenhamos, é difícil não ceder, não se entregar ao romance quase idílico. Tudo são florzinhas @–;— e corações <3 e promessas de amor! Ambas parecem indefectíveis, ou têm os defeitos plenamente aceitáveis. A vontade de estar perto é tão forte que torna-se maior que a a própria realidade, tão injusta, que não perminte que dividam a mesma cidade, o mesmo bairro, quiçá o mesmo quarteirão.

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Às vezes um casal que mora junto têm que se separar fisicamente por questões profissionais ou familiares e se readaptar à nova vida com a amada morando em outra cidade, outro estado, outro país… Às vezes casais se formam à distância em chats de bate-papo ou casualmente nas redes sociais e acabam indo parar sob o mesmo teto. Coisas do destino… dessas que acontecem sem que a gente entenda por quê, mas que temos a necessidade de sentir, com a velha e boa crença de que nada é por acaso.

 

 


Written by Ma
Ma. A autora dessas linhas que você acabou de ler, entre outras coisas.