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Hoje em dia, por incrível que pareça, ainda não temos tantas opções viáveis quando se trata de ter um bebê biológico fora do “método tradicional”, o sexo. Seja você uma mulher lésbica, hetero solteira, com problemas de fertilidade – ou um homem gay.

Quando se é um casal homossexual, muitas problemáticas são envolvidas. Como complicações judiciais para conseguir registro no nome das duas mães ou pais, uma possível “barriga de aluguel” ou doador que se arrepende e deseja a guarda da criança futuramente, muito dinheiro gasto em inúmeras tentativas que não dão certo, entre outras.

Mas eu, como tradicional sonhadora americana, já pesquisei muito sobre como construir uma família com as minhas duas “rebentinhas”. Por isso, vou compartilhar com vocês minha pesquisa: Sou lésbica e quero filhos! Como faz?

 

 

ADOÇÃO

No Brasil, quando um casal homossexual decide adotar uma criança, o pedido da adoção sai, na maioria das vezes, no nome de apenas um dos pais, com a condição sexual e de casal no laudo enviado ao promotor e ao juiz. Essa situação é no mínimo estranha. Aos olhos da Justiça, é como se o casal não existisse! Situações como essa geram diversas limitações para a vida do casal e da criança como, por exemplo, em caso de separação, a criança ficar obrigatoriamente com o adotante, sendo que o outro pai não tem direito à visitação nem obrigação de pagar pensão.

Hoje em dia, a aprovação da adoção de uma criança por casais homossexuais é definida basicamente de acordo com o que o juiz responsável pelo caso considera adequado, pois, segundo a Constituição Federal, não existe artigo com poder de impedir que um casal homossexual adote uma criança. O problema é que também não existe ainda um artigo onde esteja previsto tal direito.

“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de coloca-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”

§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e condições de sai efetivação por parte dos estrangeiros.

A lei 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao regulamentar o § 5º do art. 227 da CF, dispõe:
Art. 42. Podem adotar os maiores de vinte e um anos, independentemente do estado civil.

 

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL – CASEIRA

A inseminação articial caseira é a mais utilizada atualmente por casais lésbicos. Talvez por ser o método mais simples e menos caro, mas que também envolve algumas possíveis dores-de-cabeça. Primeiro, vamos ver como funciona:

1. Você precisa aprender a contar seu ciclo e descobrir seus dias férteis pra ter maiores chances de engravidar. Exitem até aplicativos de smartphone que podem ajudar nessa etapa, mas com certeza seu(ua) médico(a) vai te ajudar.

2. Escolher um doador confiável! No Brasil, somente médicos podem comprar no Banco de Esperma. Um dos problemas desse método é o risco de contrair doenças do doador, então é recomendável fazer os exames de DST antes do procedimento.

3. São usados uma seringa e um frasco, ambos esterilizados.

4. Aplicar o material (sêmem). Os médicos costumam indicar posições mais adequadas para faciliar a chegada dos espermatozóides. Apesar de meio estranho, uma delas é quase plantando bananeira.

5. Permanecer em repouso por aproximadamente 30 minutos após o procedimento.

O legal desse método é que você pode fazer de uma forma mais “romântica”, sem precisar passar por aquela situação de um especialista, numa clínica, injetando uma coisa em você (credo). Num dos episódios do reality The Real L Word, por exemplo, a Whitney fez um dildo com canal para introduzir a seringa pra que o casal de amigas que fariam inseminação pudessem fazer isso durante o ato sexual, introduzindo o sêmem de forma quase “tradicional”. Super legal!

O lado preocupante é que não existe documento que o doador possa assinar abrindo mão da paternidade. A única forma seria a criança ser adotada pela mãe não biológica, assim o doador perderia todos os direitos e obrigações sobre a criança. No meu caso, se eu escolhesse inseminação, faria questão de escolher um doador já falecido.

 

FERTILIZAÇÃO IN VITRO – convencional e ICSI

Normalmente, a indicação desse procedimento é para mulheres que sofrem de problemas de infertilidade (ovulação, trompas ou sem causa aparente) e, por esse motivo, é um dos tratamentos mais caros, custando a partir de R$10 mil.

Esse procedimento pode ser divido em dois processos: o convencional e o minimamente invasivo. Vamos conhecer agora o convencional!

• Indução da Ovulação
São utilizadas medicações hormonais que atuam nos ovários estimulando-os a produzir o maior número possível de óvulos. Esse proceso dura de 9 a 12 dias e nesse periodo é realizados o controle da ovulação. No momento em que a maioria dos folículos (estruturas que contém óvulos) atingirem o tamanho ideal (18-20 mm) é utilizado outro hormônio para finalizar a maturação deles.

Após 34 a 36 horas, os óvulos estarão prontos para serem colhidos e utilizados.

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• Coleta de Óvulos
A coleta dos óvulos é realizada sob visão através de ultra-som. A mulher é sedada para impedir dores no momento da retirada dos ovários. A aspiração dos folículos é feita com uma agulha fina acoplada a um tubo de ensaio que irá receber o material.

• Coleta do Sêmen e Capacitação Espermática
A coleta dos espermatozóides deve ser no mesmo dia em que a mulher será submetida à coleta dos óvulos.

• Inseminação In Vitro
Algumas horas após a obtenção dos gametas, ocorrerá a fertilização dos óvulos, que pode ser realizada por meio de duas técnicas: FIV convencional ou ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides).

– Convencional: Os espermatozóides são colocados juntos aos óvulos para que eles o penetram e possam fertilizá-los.
– ICSI – Os espermatozóides com melhores condições (melhor forma e movimentação) serão escolhidos com a ajuda de um microscópio e cada um deles será injetado dentro de cada óvulo.

• Transferência de Embriões para o Útero Materno
Após a fertilização dos óvulos, são formados os embriões. O desenvolvimento é rápido e a transferência dos embriões é realizada no segundo, terceiro ou quinto dia após a coleta dos óvulos.

A transferência dos embriões é realizada com auxílio do exame ultra-som abdominal para guiar a passage dos embriões para dentro do útero. O procedimento é indolor.

Após 11 dias de transferência dos embriões, é realizado o primeiro teste de gravidez. Se positivo, ainda é necessário repetir após 2 a 3 dias para confirmer a gestação e também para acompanhar o desenvolvimento inicial da gravidez.

 

FERTILIZAÇÃO IN VITRO – métodos minimamente invasivos

• Ciclo Natural
Pode ser utilizado por mulheres que ovulem normalmente e é indicado para pacientes que não querem fazer uso de medicação para a estimulação controlada do ovários. O ovário produz apenas um folículo, produzindo apenas um óvulo (embora seja possível que naturalmente desenvolvam-se mais de um óvulo ou até nenhum).

Não são utilizadas hormônios que estimulam o crescimento dos óvulos, em alguns casos são administrados medicamentos que evitam que uma ovulação espontânea aconteça. Esse procedimento é chamado de “Ciclo natural controlado”.

O benefício da técnica é que não tem efeitos colaterais, mas a desvantagem é que as taxas de sucesso são mais baixas.

• Mínimo Estímulo
Uma adaptação do tratamento de FIV convencional, com a diferença de usarem doses menores de hormônio, obtendo assim poucos óvulos.

• Maturação In Vitro
O processo consiste em retirar os óvulos dos ovários antes de iniciar a fase de seleção e apoptose (quando o ovário faz com que apenas um óvulo continue crescendo naquele ciclo). Os óvulos são levados ao laboratório (in vitro) e colocados em uma cultura especial de hormônios para que ocorra a maturação. Quando os óvulos estão finalmente maduros, é feitas a coleta de sêmem do doador e, então, a sua fetilização.

Também não é necessário o uso de hormônios e os resultados também são inferiores ao métodos convencional.

 

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL INTRA-UTERINA

O procedimento é quase tão simples quanto o da inseminação caseira, porém a probabilidade de sucesso é maior devido à manipulação do esperma e a aplicação, que é feita diretamente dentro do útero.

1. Primeiro são estimulados os ovários através de substâncias que induzem a ovulação, o que aumentar o risco de gravidez múltipla.

2. Após o doador fazer a coleta do sêmem, passa por um processo de análise onde é feita a seleção e concentração dos espermatozóides móveis. Então, as amostras são preparadas para inseminação.

3. Todo o processo pode ser realizados no consultório e não é necessário qualquer tipo de anestesia. A mulher é, geralmente, inseminada mais de uma vez. Cada vez que se repete o processo é necessária uma nova amostra seminal.

4. É recomendado que a mulher permaneça aproximadamente 30 minutos em repouso.

 

ROPA – Duas Mamães Biológicas!

E agora, o que mais interessa a toda nós. Claro! O método já é utilizado há tempos na Espanha. Já existem 13 casais, como Celestre e Paloma, de Portugal, que fizeram todo o tratamento e conceberam em conjunto o primeiro filho numa clínica privada espanhola.

O Instituto de Reprodução Cefer, com clínicas em Valência, Barcelona e Lleida, foi o primeiro na Europa a oferecer a solução a casais de lésbicas: uma doa os óvulos e a outra é inseminada. O método recebeu o nome ROPA (Recepção de Ovócitos da Parceira) e passa pela fertilização do óvulo de uma das companheiras com esperma de um doador.

Entre 2007 e 2009, na fase piloto da técnica ROPA, foram seguidos 14 casais de lésbicas, com idades entre os 25 e 42 anos. Registraram-se seis gravidezes, de um total de 13 embriões transferidos. A primeiro criança com duas mães nasceu nesse período. Lluna foi registrada com duas mães biológicas em Agosto de 2009.

Ainda é difícil encontrar detalhes sobre todas as etapas do procedimento, mas o que podemos definir é que a inseminação é feita assim como uma convencional. Uma das mães doa uma quantidade de óvulos, que são implantados na outra mãe, e essa outra mãe tem inseminado o sêmem de um doador. Dessa forma o bebê nasce tecnicamente e biologicamente tendo o DNA de duas mulheres e um homem. Nesse caso, a criança pode ser registrada pelas duas mães, oferecendo os mesmos direitos à ambas!

As preocupações em relação ao doador são as mesmas, mas existem formas de ter problemas futuros evitados. VAMOS COMEMORAR, afinal, ter um filho biológico com a nossa companheira é o que todas queremos! Yes!

 

 

Written by Bianka Carbonieri
Autora do Sapatômica - 24 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, ex-estudante de Relações Públicas, atual expert em Social Media. Ítalo-brasileira, é viciada em café e lasagna.