Brasileiro ganha 53 medalhas em sete edições dos Gay Games.

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O atleta corre. Lança o dardo. Consegue a melhor marca do torneio. Na hora da foto com os fãs, pergunta o nome de um deles: Serguei. Serguei é um nome comum na Rússia. O que o torcedor não sabe é que, sem querer, ao dizer o próprio nome, ele revelou a identidade de quase todo mundo reunido ali.

Ser gay, em bom português, é a condição orgulhosamente celebrada a cada quatro anos nos Gay Games, a olimpíada gay. A nona edição dos jogos foi disputada em Cleveland, nos Estados Unidos.

Teve até mensagem do presidente Barack Obama gravada especialmente para a cerimônia de abertura. Segundo a organização, sete mil atletas, de 51 países, disputaram 36 modalidades.

Foram oito dias de competição e de festa, escancarada nas coreografias alegres do nado sincronizado. E na graciosa dança esportiva.

Nos esportes mais convencionais, ninguém na natação brilhou tanto quanto o brasileiro Paulo Figueiredo. Esta foi a sétima edição de Gay Games que ele disputou.

“É uma competição internacional como qualquer outra competição, que respeita as pessoas pelo que elas são, sem qualquer preconceito. É uma coisa boa para o futuro, para as gerações novas entenderem que você pode participar de todos os campeonatos, o que você quiser”, comenta Paulo Figueiredo, aposentado.

O Paulo ganhou oito medalhas em Cleveland, e agora tem 53 no total, somando as participações nas edições anteriores.

Mas essa é uma glória que cada atleta desfruta individualmente. Não existe quadro de medalhas na olimpíada gay. Não há disputa entre países. Atletas de diferentes nacionalidades podem estar em um mesmo time.

O evento foi criado em 1982 para promover a inclusão. As inscrições são abertas a todos, inclusive os heterossexuais.

Tudo é permitido. Foi fácil encontrar equipes mistas nos torneios de polo aquático, por exemplo. As modalidades são divididas em categorias – desde as recreativas, para amadores, até as que valem medalha.

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Na categoria principal do vôlei, um time de brasileiros ficou com a medalha de prata. “Aqui a gente não tem diferenças. Nós somos todos atletas, nós somos todos pessoas”, diz Flávio Cavalcanti, empresário.

O Flávio criou o time há 16 anos. E tem um sonho: disputar no Brasil uma edição dos Gay Games.

“Eu queria ver uma Copa do Mundo, eu já vi, eu quero uma Olimpíada. Agora eu quero ver Jogos Olímpicos gays no Brasil”, diz.

Mas o sonho vai ter que esperar. Em 2018, a olimpíada gay vai ser em Paris. Nela, o importante é mais do que competir. É celebrar o que se é.

Texto original: G1 – Fantástico

 

Written by Bianka Carbonieri
Insta: @bsapatomica | 26 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante de Psicologia, é viciada em café e lasagna.