E Darwin já era? – Homossexualidade no comportamento animal

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Lá em 1859, um cara bem ousado resolveu bater no peito e ir contra a igreja e os preceitos da época: “Nós viemos dos macacos!”¹.
Se você reparar um pouco, essa teoria, a princípio, vai totalmente contra a homossexualidade, uma vez que é necessária uma relação sexual entre um homem e uma mulher para gerar filhos, e, de acordo com a teoria, aqueles que não fazem isso seriam “eliminados” durante a evolução.


Então é hora de se juntar aos criacionistas e acabar com Darwin?! Não sapamores, é hora de entendermos o que a ciência vem estudando sobre isso nos últimos anos.
Em 1999, Bruce Bagemihl – zoólogo canadense – publicou um livro chamado “Biological Exuberance”, e a partir disso os estudos sobre comportamento homo ganharam o apoio da biologia nos campos de pesquisa. Se por um lado a ciência se vê de “mãos atadas” pela teoria evolucionista, por outro lado existem várias explicações reunidas ao longo do tempo que suportam o comportamento gay: uma delas está nos animais.
No próprio livro do Bagemihl, ele analisou 450 espécies, principalmente de mamíferos e aves, e todas (algumas mais outras menos) tinham hábitos homossexuais. Então desde 99 ficou comprovado que as relações homossexuais na natureza não são confusão do instinto, aberração ou falta de fêmeas. São assim porque são!
Em alguns casos foi comprovado que essa relação entre fêmeas cria vínculos que ajudam a criar os filhotes. Um exemplo é o estudo de Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia com as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí.
Essas aves se unem em casais lésbicos, que às vezes duram a vida inteira, para criar os filhotes. Até um terço dos casais da espécie são formados por fêmeas. O resultado é que elas têm mais sucesso do que “casais héteros” na criação dos filhotes. O comportamento homossexual, portanto, muda a dinâmica da população e pode ter consequências evolutivas importantes.

Outros exemplos curiosos do mundo animal:

Esse é o Peixe-Mexerica (Etroplus maculatus), natural da Ásia, mas encontrado facilmente em lojas. Ele é bissexual devido a uma limitação da espécie: em geral, eles não conseguem diferenciar os machos das fêmeas. Até para os aquaristas é difícil diferenciar.

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Os Bobonos (Pan paniscus) realmente amam o sexo. Fazem para resolver brigas, para pedir desculpas, como prêmio… Ou por prazer mesmo. Tanto machos quanto fêmeas tem relações homossexuais, mas as fêmeas se destacam: elas passam o dia inteiro se estimulando com sexo oral. E são extremamente agitadas: houve um caso com a pesquisadora Vanessa Woods que trabalhou com a espécie: “Uma fêmea pulou nos meus ombos, envolveu minha cabeça nos seus braços e tentou puxá-la para o seu clitóris. Eu não deixei.”

Mas é bem complicado transpor essas questões para humanos; a quantidade de fatores envolvidos é muito maior. Ao contrário do que acontece com os Peixes-Mexerica, por exemplo, não se trata de algo simples como não saber diferenciar sexos.

Além disso, comportamento homossexual é diferente de orientação sexual. Foram encontradas boas explicações para o primeiro item no reino animal, mas ainda é complicado entender quais as vantagens evolutivas que se pode ter simplesmente nunca se relacionando com seres do outro sexo.

O que é válido levarmos em conta desses exemplos no mundo animal é que entre eles não existe preconceito, cobrança, piada, pudor, além de serem desprovidos de religião e valores culturais ditados pela sociedade ao longo dos tempos. Ou seja, eles se comportam exatamente como o seu natural foi criado para ser!
Então, será que Darwin já era?
Acho que ainda existe muita coisa para ser discutida pela pesquisa científica e entendida sobre a sexualidade, mas os fatos, os números e a própria vida nos dão ótimas esperanças de, num futuro próximo, termos o apoio da ciência para vivermos nossa verdade.

No próximo post vamos discutir mais sobre as últimas pesquisas científicas sobre homossexualidade, falando sobre genética, herança e comportamentos.

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Nota: ¹ A teoria evolucionista não é baseada nesse jargão de que o homem tenha surgido da evolução do macaco. Aqui utilizamos a frase apenas para ilustrar a os extremos entre as teorias.

Written by Feh!
Designer, 21 anos – teimosa, viciada em violão, adora falar sobre tecnologia e fazer amigos nas horas vagas.