Lésbicas: a nova audiência perfeita para anúncios e campanhas de marketing!

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Cantoras, musicistas, designers de moda exaltadas, fotógrafas, empresárias, modelos e tantos grandes nomes que acompanhamos nos tablóides todos os dias. A comunidade gay ganha cada dia mais os holofotes da vida pública, e como são vistos como pessoas que correm atrás de prazer e qualidade de vida, também estão se tornando mais populares na indústria de consumo.

A German Lesbian and Gay Association (LSVD) fez uma pesquisa que mostra que mulheres lésbicas são tão numerosas quanto homens gays. Aproximadamente, 1 em cada 10 mulheres é lésbica.

E esse público tende a ser cada dia mais bem sucedido, proeminente e vaidoso. Na Alemanha, elas são o público mais interessado em viagens e moda, e estão movimentando uma enorme parte da economia de turismo e consumo no país (assim como nos Estados Unidos). Muito mais do que as alemãs heterossexuais.

“Eu sou movida pelo comércio lésbico e luto por isso”, disse Claudia Kiesel, organizadora do maior evento lésbico da Europa, o L-Beach Festival, no norte da Alemanha. Essa foi a resposta dela quando questionada sobre os anúncios exibidos nos locais do evento.

Ela lembrou quando mulheres lésbicas “femininas” e engajadas com moda eram chamadas de “lipstick lesbian” (o equivalente a “sapatilha” no Brasil), e qualquer forma de glamour era considerada suspeita, como se essas mulheres fossem consideradas menos lésbicas, por conta do preconceito. Mas isso mudou!  Hoje, independente de estilo, todas elas são vaidosas, glamurosas, interessadas em se vestir bem, viver bem e consumir produtos de qualidade.

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O primeiro L-Beach Festival aconteceu seis anos atrás e, desde então, tem esgotado suas vendas de ingressos todos os anos!

A receita para o sucesso é simples: o festival aluga um vilarejo inteiro para que as participantes possam comer, beber, flertar e se divertir sem nenhum homem por perto por 4 dias; uma experiência que é completamente normal para heterossexuais, já que são a maioria nos ambientes comuns em qualquer país. O festival lembra bastante o famigerado Dinnah Shore (EUA).

E as mulheres lésbicas não se importam de pagar por esse tipo de experiência! Cada edição do festival gera por volta de 1 milhão de Euros em lucro, disse Kiesel, que acredita que o sucesso comercial é o espírito da comunidade.

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“Ganhar dinheiro nos permite fazer a cena acontecer!” (•cena lésbica)

 

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E a estratégia tem funcionado muito bem! Uma pequena olhada no folheto do festival já mostra como a indústria consumista foca nessas mulheres.

Gaby Gassman, chefe de marketing da marca de água mineral Magnus, acredita que as mulheres lésbicas são um grupo com poder aquisitivo e que consome muito!

Outra empresa que aposta em anúncios no festival, um banco de espermas de Berlin, com certeza assina embaixo. Ann-Kathrin Hosenfeld, cabeça da companhia, explica que “casais lésbicos são clientes muito importantes.” Ela ajuda aproximadamente 200 casais por ano a terem bebês e agora está apostando seus investimentos de marketing exclusivamente nesse público. Anos atrás, casais lésbicos representavam apenas 20% de seus clientes, mas agora, com mais anúncios, chegam a ser entre 40% a 50%.

Juliane Rump, editora chefe da revista feminina Straight, relembra o fato de que mulheres lésbicas ganham acima da média, porque o clássico papel “homem-provedor” não se aplica a elas. “É por isso que são um público consumidor de alto alcance!”

Mas o que atrai mesmo as empresas na hora de anunciar com esse público é a lealdade!

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“Quando uma empresa faz campanha ou anúncio em revistas, eventos e outros veículos do público lésbico, ela é vista como uma empresa que apoia a comunidade”, disse Sabine Arnolds do site Economy Women. E a comunidade demonstra sua gratidão com lealdade, consumindo os produtos dessa empresa frequentemente.

Infelizmente, a predominância na escolha de um público alvo para anúncios ainda é do modelo “mulher clássica, loira, mãe-pai-criança”. Nem todas as empresas tem a inteligência de perceber o potencial das audiências LGBTs, diz Michael Stuber, dono da agência de consultoria de marketing Cologne.

Mas a indústria consumidora alemã está aí para ensinar algo para as empresas de outros países: coragem!
De investir em um público não óbvio e que traz enorme retorno.

 

Written by Bianka Carbonieri
Insta: @bsapatomica | 26 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante de Psicologia, é viciada em café e lasagna.