Lésbicas são mais bem pagas do que mulheres heterossexuais, diz pesquisa.

Siga o blog no Instagram e no Twitter!

Um estudo do Banco Mundial sobre a relação entre sexualidade e salário mostra que as lésbicas ganham mais do que as mulheres heterossexuais. O levantamento foi realizado em países com leis contra a discriminação com base na orientação sexual. No Reino Unido, por exemplo, essa diferença é de 8%, mas nos EUA as lésbicas ganham em média 20% a mais. Quanto aos gays a diferença também existe, mas para menos: no Reino Unido, eles recebem salários 5% menores que os heterossexuais, percentual que sobe para 9% na Alemanha e 12% no Canadá.

De acordo com Nick Drydakis, professor de economia na Universidade Anglia Ruskin, no Reino Unido, que fez o relatório para o Banco Mundial, as diferenças de salários podem ser explicadas por escolhas de carreira e estilo de vida: “Lésbicas percebem cedo na vida que não vão seguir um modelo tradicional de casamento”, ele disse.

Tais decisões podem incluir estudar por mais tempo, escolher uma carreira que pague mais, trabalhar mais horas ou até escolher profissões tradicionalmente dominadas por homens que paguem mais. Já os gays ganham menos que colegas heterossexuais por causa da discriminação ainda existente em muitas empresas, segundo o estudo.

“O mercado de trabalho valoriza menos as características dos gays, e a diferença no resultado pode ser atribuído ao fracasso de homens homossexuais em se conformar com os papéis tradicionais de gênero”, diz o relatório.

A pesquisa, que analisou provas recolhidas em todo o mundo, descobriu que a discriminação no recrutamento de homens gays parece ser mais elevada em profissões dominadas pelos homens e mais pronunciada contra lésbicas nos locais de trabalho dominados pelo sexo feminino.

Leia também:  Em 2016 tivemos mais de 5 Mil casamentos gays no Brasil!

Funcionários gays e lésbicas em geral relatam mais incidentes de assédio, tratamento injusto no trabalho, e dizem ter menos satisfação no trabalho em relação a suas contrapartes heterossexuais.

Menos de 20% dos países têm regras em vigor para prevenir a discriminação contra os trabalhadores com base na sexualidade. No entanto, os governos poderiam melhorar as oportunidades de trabalho para os funcionários gays e lésbicas por promover o respeito e igualdade no local de trabalho e publicação de dados anuais sobre os progressos no sentido da igualdade, o relatório argumenta.


Tá! Agora para e fala a verdade, que fica mais bonito.

E quem achou essa notícia boa precisa rever os conceitos, porque, na verdade, é uma notícia bastante ruim. Por quê? Simples: é mais uma consequência da desvalorização do que caracteriza “feminino/mulher” e supervalorização do que caracteriza “masculino/homem”. É como dizer que quem bate como uma menina bate fraco. Quando a mulher é lésbica, o machismo da sociedade interpreta que, de alguma forma, aquela mulher tem mais masculinidade e, portanto, é mais ‘macho’, menos ‘delicada’, e se encaixa na binaridade do “ativo vs passivo”, colocando a mulher masculinizada num patamar que merece mais respeito. Tanto que, outra informação importante a se avaliar, é o fato de que, quando uma mulher é lésbica bastante ‘feminina’ fisicamente, acaba sofrendo abordagens preconceituosas  e mais assédio dos homens que compõe o ambiente de trabalho, que não respeitam/aceitam sua orientação sexual.

A notícia só será boa de verdade quando for: “Mulheres atualmente ganham exatamente a mesma faixa salarial que os homens na sociedade”. Independente de orientação sexual e de binaridade e machismo.

 

Written by Bianka Carbonieri
Insta: @bsapatomica | 26 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante de Psicologia, é viciada em café e lasagna.