O Que no Fundo Realmente Importa

Siga o blog no Instagram e no Twitter!

Às vezes eu escrevo umas coisas bem autobiográficas aqui. Às vezes não. Falar publicamente sobre coisas negativas acerca da própria personalidade é dificílimo, tente um dia no Twitter, no Facebook… É difícil, mas é de certa forma compensador, porque faz com que nos conheçamos melhor. Elogiar, enaltecer alguém é fácil, por isso é possível que ouçamos, com certa frequencia, algo bom sobre o corte de cabelo, a roupa nova, um brilho diferente nos olhos… Mas são pouquíssimos os que se arriscam a nos dizer que estamos feias, maltrapilhas, opacas – tem que ser muuuuito amigo e muuuuito corajoso pra isso.

Pois bem, vamos à true history que fez com que minha reflexão virasse post. Há algum tempo eu comecei a desconfiar que tinha um certo medo de intimidade. De sexo não, de intimidade; e intimidade é algo muito mais sério que sexo – pelo menos pra mim. Conheci uma mulher linda, interessante, divertida e que se encaixava em cada um dos tópicos de uma extensa lista de itens mentais que eu tinha como essenciais para começar um relacionamento, uma espécie de listinha de pré-seleção. Pausa dramática: só hoje descobri que eu levava essa listinha mental à sério, e fiquei um pouco assustada com isso. Percebi que ter uma love list já é uma forma de erigir um muro, de erguer uma barreira entre você e uma outra pessoa, porque se ela não preencher um itenzinho que seja da tal lista tosca, teoricamente fica mais fácil justificar que o relacionamento não deu certo por isso. Aí eu vi que estava tudo errado. Comigo. 

Um relacionamento dá certo quando as pessoas caminham lado a lado, e não quando uma age como uma psicóloga do RH de uma multinacional e a outra, como a entrevistada.

Eu tenho um gênio difícil e já conto de cara, nas primeiras horas de conversa, mas entremeio essa informação super séria com várias piadinhas. Resultado: conto uma verdade que parece mentira. No dia a dia sou birrenta, manhosa, faço biquinho e amanheço de pá virada. Nos três primeiros dias acordando juntas tudo isso pode até ser fofo, no quarto já é um pé no saquinho, eu sei. E quando eu gosto, eu sou ciumenta; faço o possível pra não demonstrar, porque parece que demostrar ciúme é mostrar insegurança… mas em algumas situações eu não me contenho e chuto o pau da barraca: falo demais, faço besteiras, depois me arrependo profundamente. Só depoisssssss, beeeem depois é que eu vou atrás e peço desculpas – quando vou. Eu sou turrona. Eu sou uó. Principalmente quando estou gostando de verdade, querendo que ela esteja perto o tempo todo, que conheça todos os meus amigos, todos os restaurantes que eu gosto e que veja vááários filmes comigo.

Leia também:  Valquiria representando as bissexuais em Thor: Ragnarok!

 

Ontem, numa crise de ciúmes por um fato bobo do passado dela, dei um piti e disse que não queria mais nada entre nós. Esperei uma, duas, 24 horas, até perceber que o rompimento poderia ser definitivo. Pensei nela em cada minuto dessas últimas 24 horas, e esperei que ela viesse atrás. Não veio e estava coberta de razão em não vir. Eu fui, com o rabinho entre as pernas e o coração trêmulo, pedir desculpas sinceras morrendo de medo de ouvir um: “Cansei, agora eu não quero mais.” Felizmente as coisas foram diferentes. Felizmente ela não tem uma love list mental tosca como eu tinha. Felizmente, nesse sentido, há mais maturidade nela que em mim. E a sensação de medo de intimidade, e depois medo de perdê-la, foi substituída pela paz absoluta que tenho quando estamos juntas, e no fundo é só isso que realmente importa. 

Apenas:

 

Written by Ma
Ma. A autora dessas linhas que você acabou de ler, entre outras coisas.