Dentre todas as fases que enfrentamos sendo gay, acho que uma das mais complicadas – se não a mais difícil de todas – é assumir pra si mesmo.

Somos criados com certos pré-conceitos que nos são passados desde o berço, vem com a família mesmo. E lá também criamos alguns conceitos de normal e anormal, igual e diferente, certo e errado. Um monte de besteira, né? Porque todos esses conceitos são muito subjetivos e mudam de pessoa pra pessoa, situação pra situação, etc e tal, maass tudo bem. Tudo isso que estou dizendo, alinhado com àquele padrão de menina de rosa, menino de azul, mocinhas brincando de boneca, mulher não fala palavrão, etc, nos faz formar certas definições .

A gente entra na faculdade e se depara com uma menina estilosa, descolada, que anda com um rapaz lindo e super bem arrumado, e… descobre que os dois são gays. Olha só! Eles são educados, engraçados, inteligentes… a gente aprende a respeitá-los e até acaba surgindo uma amizade. É natural aceitá-los como são. Mas quando é com nós mesmos é tão mais difícil, né?

Então, não mais que de repente, um belo dia, você se pega olhando pra uma mulher ou sentindo ciúmes daquela amiga, ou se sentindo a pessoa mais feliz do mundo quando está com aquela colega. E agora? Será que estou me sentindo atraída por uma mulher?

Ser ou não ser? E se eu for? Qual impacto que isso vai ter na minha vida? E minha família? Poderei ter uma vida normal? Vou tomar lampadada na cabeça andando pela rua sem ter feito nada?”

Calma, respira! Conta até 10, toma um copo d’água e vamos lá!

 

Em primeiro lugar: Mantenha a CALMA!

Tudo faz sentido agora: “Agora eu percebo que nunca fui muito igual as outras meninas”. Gata, não começa! Rs. Algumas coisas vão encaixar mesmo, mas calma, uma coisa de cada vez. Não é porque você gostava mais de azul que de rosa que você já era sapinha desde pequena! Sem exageros, sem grandes dramas.

Não é o fim do mundo: Não faz a Maysa com o mundo caindo não, tá tudo bem. Calma! Eu sei bem como é essa fase, são muitos pensamentos ao mesmo tempo, de desaprovação, medo, insegurança e ao mesmo tempo algumas coisas começando a fazer sentido. O que podemos dizer para ajudar? Tem muito mais pessoas do que você imagina na mesma situação que você e: deixa as coisas acontecerem. O mundo, o tempo, vai se encarregar de te mostrar se você apenas confundiu as coisas ou se realmente essa é o que você é de verdade! Tenha paciência!

 

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Em segundo lugar: Tente manter a CALMA! rs

Informe –se, conheça a si própria e os demais: Procure assistir filmes com a temática gay, ler livros, assistir vídeos como os das Dedilhadas e as histórias reais do site da Angélica Morango. Informe-se do assunto. Se surgir coragem, procure algum gay para conversar; se não conhecer nenhum, vá à algum evento gls, arraste uma amiga de confiança, a irmã, enfim… e vá algum bar, balada, café, etc, com público gay. Entre em algum site com bate-papo gay, entre em contato com sites gays, entre em contato com a gente, enfim. Será muito bacana ver de perto que nós levamos uma vida normal, que essa confusão inicial passou. Apenas conversar com alguém já vai ter ajudar pelo menos a ir organizando algumas coisas dentro de você.

Dê um passo de cada vez: Não adianta se desesperar, querer desabafar se assumindo no meio da ceia de Natal para a família inteira. Dê tempo ao tempo que ele vai se encarregar de te mostrar seus reais sentimentos e vontades.

 

Em terceiro lugar: Seja feliz sendo você mesmo!

Não importa se você é hetero, gay, bi, trans, seja você mesmo, seja feliz. Não tenha vergonha de ser quem você é, não tenha vergonha de si próprio. Cada um tem a sua verdade, cada um é de um jeito. Aceite-se como você é. Aceite o amor que você tem para doar para o mundo e para as pessoas que nele vivem, sejam mulheres ou homens.

 

“O tempo vai dizer quem é quem!”

[hr]

Written by Ali

Colunista – Estudante de psicologia, romântica incurável, escorpiana teimosa, vegetariana, viciada em trident e que ainda acredita em um mundo melhor (ou em largar tudo e ir vender coco na praia).