Relação Familiar – Assumir, informar sua orientação sexual.

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Semana passada tivemos o primeiro post sobre “Relação Familiar”, com uma das partes mais difíceis de enfrentar, que é a aceitação pessoal. Talvez muitos de nós, por termos sido educados com conceitos preconceituosos, não conseguimos nos aceitar como somos: gays, lésbicas, bissexuais, travestis ou drags. Agora, falemos sobre a parte mais delicada: assumir-se gay.

Por mais decidida que seja a pessoa, mais sincera consigo mesma, sempre há aquela dúvida: “Devo ou não devo contar?”. Dúvida muito comum entre todos, não se sinta mal se você já teve essa dúvida, e também não precisa se preocupar caso ainda não a teve. Assumir-se ou não é algo bem pessoal e que uns concordam e outros discordam. Sou a favor de todos se assumirem, pois EU não consigo suportar a ideia de ter que mentir para quem eu gosto, de ter que fingir ser alguém que não sou para quem eu amo e que sempre me apoiou em todas as fases da minha vida, que é minha mãe. Sou a favor de todos se assumirem, mas, claro que depende do contexto social em qual você se encaixa e vive. Se minha família fosse totalmente reclusa e preconceituosa, eu precisaria me estruturar psicológica e financeiramente antes de me assumir gay.

Nem todos pensamos e agimos igual, alguns são contra as pessoas se assumirem, alegando que heteros não precisam se assumir heteros para os pais. Estão certos, mas isso é uma questão de educação, quase ninguém no mundo foi educado para ter filhos homossexuais, logo, o mais comum é ter um(a) filho(a) heterossexual. Como afirma o psicólogo Claudio Picazio, especializado em sexologia, que mudar esse conceito de muitos pais não é fácil, mas afirma que é preciso mudar, aceitar e aprender a lidar com a situação, “Antes de ter um filho, o casal projeta uma história, imagina um destino para esse filho. E nunca se leva em conta que ele possa ser gay, mas pode.”, diz o psicólogo.

Então, se a maioria da população não foi educada para ter filhos homossexuais, o que fazer? O mais comum é procurar alguém para compartilhar sua orientação, alguém que realmente possa confiar e que te entenda. Estudos comprovam que a maioria dos homossexuais quando aceitam sua homossexualidade sofrem de forte angústia e, em alguns, até mesmo depressão, por acharem que estarão prejudicando de alguma forma seus pais. Eu, por exemplo, procurei minha prima para contar sobre minha homossexualidade, sempre fomos muito unidos e confiamos segredos uns aos outros desde pequenos, e foi graças a ela que criei coragem para me assumir gay para minha mãe e família.

Muitos pais preferem não querer enxergar a realidade para não se “machucarem”, preferem escolher não ver a verdade e procurar desculpas para confortarem a si mesmos, como foi o caso da mãe de um jovem de 19 anos: “Não sei se minha mãe fazia vista grossa para meu jeito de ser, ou pensava que me fazia de frágil e sensível para atrair as mulheres. Ela tinha orgulho de falar para as amigas que sempre iam muitas moças bonitas em casa me procurar; mas ela nem sonhava que eram apenas amigas.”, afirma o rapaz. “Acho que me assumir gay para minha mãe foi a maior decepção da vida dela, ela mencionou não ter me educado direito, não ter sido boa mãe, falou até em se matar por causa disso. Foram muitos momentos difíceis, nos quais eu não podia mais sair de casa, ficar no computador, conversar com os amigos, e muito menos receber minhas amigas em casa. Minha mãe achava que agindo assim estava me protegendo e me mostrando que eu estava errado em gostar de homens. […] com o tempo e com a ajuda de uma professora minha, que também tinha um filho gay, minha mãe foi me aceitando. Comecei a mostrar o mundo gay para ela pelo lado de dentro, tirando a idéia de que homossexuais em geral são pervertidos e imorais. […] Hoje, minha mãe adora boates GLS e drags caricatas, aceita meu companheiro e até mesmo nos incentiva a adotar uma criança. Me alegra ver que minha mãe superou a ideia de que ter um filho gay é uma vergonha, ela conseguiu me aceitar e se superar, e hoje aconselha muitas mães na mesma situação.”

Cada um tem uma experiência bem diferente sobre a sua fase de assumir-se gay, como contou um rapaz de 27 anos que se assumiu aos 21 anos, e a pessoa mais próxima e confiável para ele contar sua orientação foi sua avó: “Foi muito difícil chegar para meu pai e falar que eu era gay, eu demorei quase 7 anos para falar isso. Pensei bem para quem me assumir primeiro e a primeira pessoa da família que eu contei foi para minha avó (que descanse em paz), e foi ela quem me encorajou a contar para os meus pais. Minha mãe sempre foi muito preconceituosa, meu pai sempre foi mais mente aberta, pela nossa amizade eu o procurei e contei para ele. […] meu pai me pediu para manter segredo da minha opção sexual, em relação a minha mãe, ele queria preparar ela para esse choque. Mantive isso em segredo da minha mãe por mais 5 meses.”, diz o rapaz.

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Com o passar do tempo, muitas coisas melhoram, como é o caso do rapaz de 27 anos, que após ter se assumido para o pai, passou a levar companheiros para casa sem medo. “Antes de ir pra casa com meu namorado, ou ficante, eu pedia para meu pai, ele sempre deixava, ele sabia que quem eu apresentava como amigo para minha mãe era meu companheiro. Sentia-me menos pior ao saber que alguém dentro de casa me apoiava e sabia que eu gostava de outros caras.”. Quando sua mãe soube de sua orientação, agiu com indiferença, porém surpreendeu o rapaz em defender que ele não mudou seu caráter por ser gay, como podemos ver no trecho “Uma coisa que me surpreendeu muito foi ver meus pais me defenderem em um típico almoço de família. Se retirando da mesa e da casa dos meus avós maternos junto comigo, logo após meus avós fazerem alguns comentários preconceituosos sobre eu ser gay.”.

Existem diversos casos e histórias sobre assumir a homossexualidade, o mais comum em muitos casos, infelizmente, é o filho ser expulso de casa e deparar-se na rua com uma sociedade extremamente preconceituosa ao seu redor. Por isso, é sempre bom poder contar com alguém, porque além de aliviar um pouco a culpa, o medo, a tensão que todo homossexual sente quando se descobre gay, você pode procurar apoio em situações como essa. Com o tempo e o apoio das pessoas para quem você contou sua orientação, você vai se tornando mais seguro de si e consegue lidar com diversas situações em casa.

Não existe segredo para assumir-se, somente alguns cuidados básicos como, mostrar para todos que seu caráter não mudou é o mais importante, mostrar que você não mudou apenas por gostar de pessoas do mesmo sexo. Impor respeito também é importantíssimo, não deixar que ninguém te menospreze ou te diferencie por ser homossexual. Saber lidar com situações desconfortáveis e até mesmo constrangedoras sem perder a compostura, educação, e consigo a razão. Muitas vezes essas situações constrangedoras são causadas por nossos próprios pais ou familiares, mas isso é assunto para o próximo post “Relação familiar após exposta a orientação”.

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Written by Matheus