Taxistas no Pará participam de curso sobre direitos LGBT.

Quem de nós nunca entrou num táxi ou num uber e tentou evitar de surgir qualquer assunto sobre relacionamento, sobre política, de repente com a namorada ao lado ficou mais reservada e evitando muita demonstração de afeto pra não correr o risco de estar no “carro errado”.

Já tivemos casos de casais de mulheres que sofreram agressão física por terem se beijado ou dado as mãos num táxi… Eu, por exemplo, sempre que puxam papo perguntando o que eu faço da vida, passo por cinco segundos de reflexão (que parecem uma hora na minha cabeça) pra decidir se falo a verdade ou se me poupo.

Pois um dos meus sonhos seria todas as frotas de motoristas do Brasil fazerem o que a Cooperdoca, do Pará, fez.

Um curso para todos os taxistas foi organizado após uma travesti de 16 anos ter sido agredida na madrugada do dia 20 de outubro do ano passado.

“Capacitar-se e se informar é importante não só para nós, taxistas, mas também para toda a população. Aprender a lidar com as pessoas, com as diferenças, é essencial para o convívio em sociedade”, disse Luiz Medeiros, presidente da Cooperdoca. “O objetivo é esclarecer e sensibilizar os taxistas em relação às pessoas LGBT. Isso é essencial nos dias de hoje em nosso país, pois o Brasil tem um altíssimo índice de assassinatos de homossexuais. Para que o caso da travesti agredida não se repita, necessitamos conscientizar.”

O curso, dado entre os dias 7, 8 e 9 nessa semana, envolveu 90 taxistas da cooperativa que ganharam certificado sobre conhecimentos dos direitos da comunidade LGBT. Os apoiadores foram entidades como Pro Paz Diversidade, Defensoria Pública, Delegacia de Crimes Discriminatórios e Homofóbicos e o Movimento LGBT do Pará.

Written by Bianka Carbonieri
Insta: @bsapatomica | 26 anos, taurina, mora em São Paulo. Workaholic assumida, estudante de Psicologia, é viciada em café e lasagna.